Criar abelhas é, antes de tudo, um ato de resistência.

Em tempos de desmatamento dos biomas brasileiros, utilização indiscriminada de agrotóxicos, organismos geneticamente modificados e uso do solo voltado aos interesses do capital, esse pequeno inseto, juntamente com uma variedade de outros animais, presta um dos mais importantes serviços ecossistêmicos, o da polinização.

Visitando as flores em busca de néctar e pólen, as abelhas possibilitam o surgimento de frutos, grãos, cereais, garantem a perpetuação de florestas, e nos presenteiam com um dos mais nobres alimentos, o mel. Além disso, ainda oferecem a medicina da própolis e da apitoxina, os nutrientes do pólen e os ensinamentos de uma sociedade organizada, matriarcal, em perfeita sintonia com os ciclos da natureza. Registros milenares já evidenciavam a relação do ser humano com as abelhas.

Não se pode ser dono de um enxame. As abelhas são livres para ir e vir. O que se pode, no entanto, é ter sua guarda, zelar para que estejam em instalações adequadas, mantendo-as à uma distância segura de pessoas e animais. Dessa forma, o objetivo dessa empreitada é, antes de tudo, aprender, retirando apenas o excedente, e na medida do possível, repassar o conhecimento a quem demonstre interesse.